Quando operar hérnia de disco? Entenda os critérios da indicação cirúrgica
- Dr Igor Andrade

- há 3 dias
- 5 min de leitura
Atualizado: há 20 horas

Receber o diagnóstico de hérnia de disco costuma trazer uma preocupação imediata: "vou precisar operar?". A resposta, na grande maioria dos casos, é não. Felizmente, a maior parte dos pacientes melhora com tratamento conservador, sem necessidade de cirurgia.
Saber exatamente quando a cirurgia é indicada ajuda a reduzir a ansiedade e permite tomar decisões com mais segurança, sempre com base em critérios médicos bem estabelecidos.
Resposta rápida: quando a cirurgia é indicada
De forma resumida, a cirurgia costuma ser indicada quando ocorre uma ou mais das seguintes situações:
Perda progressiva de força no braço ou na perna;
Síndrome da cauda equina (alterações para urinar, evacuar ou dormência na região íntima);
Dor intensa que persiste mesmo após tratamento conservador adequado, geralmente por 6 a 12 semanas;
Crises recorrentes que comprometem significativamente a qualidade de vida.
Fora desses cenários, a maioria dos pacientes pode ser tratada sem cirurgia.
O que é a hérnia de disco?
Entre as vértebras da coluna existem discos que funcionam como amortecedores, absorvendo impactos e permitindo os movimentos da coluna. Com o envelhecimento natural, sobrecarga, predisposição genética ou outros fatores, parte do conteúdo interno desse disco pode se deslocar e comprimir estruturas nervosas próximas. É isso que chamamos de hérnia de disco.
Ela ocorre principalmente nas regiões lombar (parte inferior das costas) e cervical (pescoço). Os sintomas podem incluir:
Dor nas costas ou no pescoço;
Dor irradiada para a perna (ciatalgia) ou para o braço;
Formigamento;
Dormência;
Perda de força.
É importante destacar que nem toda hérnia de disco causa sintomas. Muitas pessoas apresentam alterações na ressonância magnética e nunca desenvolvem dor.
Por isso, o tratamento nunca deve ser definido apenas pelo exame de imagem. A decisão é baseada na combinação entre a história clínica, o exame neurológico e os exames complementares.
A maioria dos casos não precisa de cirurgia
Estudos mostram que aproximadamente 80 a 90% dos pacientes com hérnia de disco apresentam melhora sem necessidade de cirurgia. O tratamento conservador pode incluir:
Medicações para controle da dor e inflamação;
Fisioterapia e reabilitação;
Exercícios para fortalecimento da musculatura;
Orientações posturais;
Retorno gradual às atividades físicas;
Em casos selecionados, infiltrações ou bloqueios guiados por imagem.
Além disso, o próprio organismo pode reabsorver parte do material herniado ao longo das semanas ou meses, reduzindo a compressão sobre o nervo e melhorando os sintomas.
Quando operar uma hérnia de disco?
Embora a maioria dos pacientes evolua bem sem cirurgia, existem situações em que o tratamento cirúrgico oferece a melhor chance de preservar a função neurológica e recuperar a qualidade de vida.
1. Perda progressiva de força
Este é um dos critérios mais importantes. Quando a compressão do nervo começa a causar fraqueza — como dificuldade para levantar o pé, subir escadas, caminhar na ponta dos pés ou segurar objetos — a cirurgia pode evitar que a lesão do nervo se torne permanente.
Quanto mais cedo ocorre a descompressão nesses casos, maiores costumam ser as chances de recuperação.
2. Síndrome da cauda equina
É considerada uma emergência neurocirúrgica. Os principais sinais incluem:
Dificuldade para urinar;
Perda do controle urinário ou intestinal;
Dormência na região íntima ("anestesia em sela");
Perda importante de força nas pernas.
Nessas situações, a avaliação deve ser imediata, pois o atraso no tratamento pode resultar em sequelas permanentes.
3. Dor incapacitante que não melhora
Quando o paciente realiza tratamento conservador adequado por cerca de 6 a 12 semanas, mas continua apresentando dor intensa que limita o trabalho, o sono, a locomoção ou as atividades diárias, a cirurgia passa a ser uma alternativa importante.
O objetivo não é apenas aliviar a dor, mas devolver qualidade de vida e permitir o retorno às atividades habituais.
4. Crises recorrentes
Alguns pacientes apresentam episódios repetidos de hérnia de disco, com melhora parcial entre as crises. Quando essas recorrências passam a comprometer significativamente a rotina, a cirurgia pode ser considerada após avaliação individualizada.
O tamanho da hérnia sozinho não define a cirurgia
Um dos maiores mitos sobre hérnia de disco é acreditar que uma hérnia grande necessariamente precisa ser operada. Na prática, isso não é verdade.
Existem pacientes com hérnias volumosas que apresentam poucos sintomas, enquanto pequenas hérnias podem causar dor intensa ou perda de força, dependendo do nervo comprimido.
Por isso, a indicação cirúrgica nunca é baseada apenas na ressonância magnética. O mais importante é a correlação entre os sintomas, o exame físico e os exames de imagem.
Como é feita a cirurgia de hérnia de disco?
A cirurgia da coluna evoluiu muito nas últimas décadas. Quando bem indicada, técnicas como a microdiscectomia e as abordagens minimamente invasivas permitem remover a compressão do nervo utilizando incisões menores e com menor agressão aos músculos da coluna.
Como consequência, muitos pacientes apresentam:
Menor dor no pós-operatório;
Recuperação mais rápida;
Retorno mais precoce às atividades.
Em muitos casos, o paciente consegue caminhar no mesmo dia ou no dia seguinte ao procedimento.
Como toda cirurgia, existem riscos e limitações que devem ser discutidos individualmente durante a consulta.
A cirurgia cura definitivamente a hérnia de disco?
A cirurgia remove a parte do disco responsável pela compressão do nervo e costuma proporcionar excelente alívio da dor irradiada quando há indicação adequada. Entretanto, ela não interrompe o processo natural de envelhecimento da coluna.
Por isso, manter fortalecimento muscular, controlar o peso, evitar o tabagismo e praticar atividade física regularmente continua sendo fundamental para reduzir o risco de novos episódios.
Embora exista possibilidade de recorrência da hérnia no mesmo nível, ela ocorre apenas em uma pequena parcela dos pacientes.
Sinais de alerta: quando procurar atendimento imediatamente
Procure avaliação médica com urgência se apresentar:
Perda de força no braço ou na perna;
Dificuldade para urinar ou evacuar;
Dormência na região íntima;
Dor intensa que não melhora com medicação;
Dor nas costas associada à febre;
Perda de peso inexplicada acompanhada de dor persistente.
Perguntas frequentes
Toda hérnia de disco precisa operar?
Não. Aproximadamente 80 a 90% dos pacientes melhoram apenas com tratamento conservador.
Quanto tempo devo esperar antes da cirurgia?
Na ausência de perda de força ou outras urgências, normalmente recomenda-se tratamento conservador por cerca de 6 a 12 semanas antes de considerar a cirurgia.
Posso fazer atividade física?
Na maioria dos casos, sim. Exercícios orientados fazem parte do tratamento e ajudam na recuperação e na prevenção de novos episódios.
A hérnia pode voltar depois da cirurgia?
Sim. Existe um pequeno risco de recorrência, mas a maioria dos pacientes apresenta excelente evolução quando segue corretamente as orientações de reabilitação.
A decisão deve ser individualizada
Operar ou não uma hérnia de disco não depende apenas do tamanho da lesão visto na ressonância magnética. A decisão deve considerar os sintomas, o exame neurológico, o impacto na qualidade de vida e a resposta ao tratamento conservador.
Cada paciente apresenta uma história diferente, e a melhor conduta é aquela construída de forma compartilhada, após uma avaliação cuidadosa.
Se você recebeu o diagnóstico de hérnia de disco, convive com dor na coluna ou deseja saber se existe indicação de cirurgia no seu caso, uma avaliação especializada pode esclarecer todas as opções de tratamento e ajudar na tomada da melhor decisão.
Dr. Igor Andrade – Neurocirurgião | CRM-BA 30171 | RQE 25878
Atendimento em Ilhéus (Clínica AMO) e Itabuna (Mediar Saúde).



Comentários